A 12 de agosto assinala-se o Dia Internacional da Juventude, consagrado pela Organização das Nações Unidas desde 1999. O tema escolhido pela ONU para a edição de 2026, “Different Contexts, Common Aspirations” (“Diferentes Contextos, Aspirações Comuns”), lembra que jovens de realidades, paises e economias distintas, partilham objetivos semelhantes: dignidade, oportunidade, participação e acesso a uma educação de qualidade.

Em Portugal e na União Europeia, esses objetivos têm vindo a ganhar forma através de inquéritos, estratégias e planos de ação que ouvem diretamente os jovens. Reunimos dez prioridades que atravessam esses documentos e que ajudam a perceber o que a nova geração pede, hoje, ao sistema educativo.

1. Acesso universal e equitativo a uma educação de qualidade

A Estratégia da União Europeia para a Juventude 2019-2027 coloca a educação de qualidade entre os seus onze domínios de ação, com a meta de garantir o acesso universal e equitativo à aprendizagem ao longo da vida, segundo a Rede de Bibliotecas Escolares. A equidade continua a ser um ponto de partida, e não um objetivo já alcançado, sobretudo fora dos grandes centros urbanos.

2. Competências digitais preparadas para o futuro

O relatório de tendências da OCDE para 2025 identifica a integração da inteligência artificial, da Internet das Coisas e da realidade virtual como algumas das transformações mais rápidas que a educação atravessa atualmente, segundo o Ponto Digital. Em resposta, a Comissão Europeia adotou, em março de 2025, o Pacote União de Competências, que inclui um plano de ação dedicado às competências básicas e um plano estratégico para as áreas STEM.

3. Saúde mental e bem-estar como parte do percurso escolar

A saúde mental figura como um domínio autónomo na Estratégia Europeia para a Juventude, reconhecendo que o bem-estar psicológico condiciona diretamente o sucesso escolar e a permanência no sistema de ensino.

4. Uma ponte mais sólida entre formação e mercado de trabalho

O acesso a trabalho de qualidade surge repetidamente associado à educação nos inquéritos europeus. Em Portugal, os jovens auscultados pelo Eurobarómetro apontam o custo de vida e a instabilidade laboral como preocupações centrais, o que reforça a procura por percursos formativos com saídas profissionais claras, de acordo com a Comissão Europeia.

5. Participação ativa nas decisões que os afetam

As Conclusões do Conselho da Juventude, adotadas durante a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia em 2021, defendem que os jovens devem ter oportunidades reais de participação e tomada de decisão em todos os assuntos que lhes dizem respeito, incluindo a organização do próprio sistema educativo, segundo a Rede de Bibliotecas Escolares.

6. Métodos de ensino mais personalizados e participativos

A mesma estratégia europeia aponta para modelos de aprendizagem centrados no aluno, mais cooperativos e menos uniformizados, como forma de responder à diversidade de ritmos e interesses dentro da sala de aula.

7. Mais mobilidade e reconhecimento de experiências internacionais

O Education and Training Monitor 2025, da Comissão Europeia, situa a taxa de mobilidade de saída dos diplomados do ensino superior português em 10,2%, ligeiramente abaixo da média da União Europeia.

8. Igualdade de género e sociedades mais inclusivas

A igualdade para todos os géneros e a construção de sociedades inclusivas constam entre os primeiros objetivos da Estratégia Europeia para a Juventude, com impacto direto na forma como escolas e universidades acolhem a diversidade dos seus estudantes.

9. Literacia climática e sustentabilidade no currículo

Uma “Europa verde e sustentável” é também um dos onze domínios da estratégia europeia, refletindo a pressão dos próprios jovens para que as alterações climáticas deixem de ser um tema lateral e passem a integrar de forma transversal os conteúdos escolares. 

10. Literacia mediática para navegar um ambiente de informação mais complexo

As Conclusões do Conselho da Juventude sublinham a necessidade de reforçar competências de literacia mediática e informacional, para que os jovens consigam identificar desinformação, polarização e propaganda, e participar de forma informada na vida democrática.

Um esforço que também se promove em Portugal 

Muitas destas prioridades dependem de infraestruturas digitais e de serviços concretos. Em Portugal, a FCCN, unidade de serviços digitais da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), assegura serviços e plataformas usados diariamente por estudantes e instituições de ensino superior. São serviços que, no seu conjunto, respondem a várias das prioridades aqui identificadas, do acesso à formação de qualidade ao reforço de competências digitais.

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