Entre os dias 27 e 29 de julho de 2026, membros da equipa do RCAAP, serviço digital da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), desenvolvido pela FCCN, participaram, em Maputo, Moçambique, na formação “Gestão Responsável dos Repositórios de Investigação”, promovida pela UbuntuNet Alliance no âmbito de uma iniciativa financiada pelo Invest in Open Infrastructure Fund.
A ação reuniu 45 profissionais, maioritariamente bibliotecários e técnicos de instituições de ensino superior moçambicanas. O principal objetivo da iniciativa foi reforçar as competências necessárias para a criação, gestão e sustentabilidade de repositórios institucionais de acesso aberto, contribuindo para aumentar a visibilidade, acessibilidade e reutilização da produção científica africana.
O programa abordou temas como a gestão de repositórios em DSpace, a qualidade dos metadados, os princípios FAIR e CARE, direitos e licenciamento, gestão de acessos, interoperabilidade e desenvolvimento de políticas institucionais para repositórios.
A formação foi dinamizada por Paulo Lopes, gestor do RCAAP e dos serviços de acesso aberto da FCT|FCCN, e por Raquel Truta, colaboradora da Universidade do Minho e responsável por serviços de apoio do RCAAP.
A participação portuguesa enquadra-se no trabalho de cooperação que tem vindo a ser desenvolvido com instituições dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) nas áreas da Ciência Aberta, da gestão de repositórios e da capacitação técnica e organizacional.
Formação combinou componentes teóricas e práticas
Ao longo dos três dias de trabalho, os participantes aprofundaram conhecimentos teóricos e desenvolveram competências práticas através de exercícios realizados numa instalação DSpace preparada especificamente para este efeito. As sessões promoveram igualmente a partilha de experiências entre instituições com diferentes níveis de maturidade na implementação e gestão de repositórios.
Resultados evidenciam impacto positivo
A avaliação realizada no final da formação revelou resultados muito positivos. Cerca de 97,5% dos participantes consideraram que a iniciativa contribuiu para uma melhor compreensão do papel dos repositórios institucionais na visibilidade da investigação, na preservação digital, no acesso aberto e na comunicação científica.
Além disso, 92,5% dos participantes afirmaram sentir-se mais preparados para contribuir para a criação, melhoria ou consolidação de repositórios institucionais e das respetivas políticas de gestão.
Os resultados obtidos refletem o crescente interesse das instituições moçambicanas pelo desenvolvimento de infraestruturas de acesso aberto e pela adoção de boas práticas internacionais na gestão da informação científica. A ação permitiu também reforçar redes de cooperação existentes e criar condições para futuras iniciativas de capacitação e acompanhamento técnico na região.
Esta formação integra um esforço mais amplo de promoção da Ciência Aberta em África, com o objetivo de aumentar a visibilidade e o impacto da investigação produzida no continente através do fortalecimento dos repositórios institucionais e da capacitação dos profissionais responsáveis pela sua gestão.











