Go to main content
 

Cabo submarino transatlântico da EllaLink ancorou em Portugal

Cabo submarino transatlântico da EllaLink ancorou em Portugal

Cabo de fibra ótica com tecnologia de ponta que liga Portugal e a América Latina já chegou a Sines. Projeto é possível graças ao papel determinante da comunidade de educação e investigação. 

A EllaLink anunciou que o seu sistema de cabo submarino de última geração e baixa latência já ancorou em Sines, a partir de onde se estabelecerá a ligação à América Latina. A infraestrutura deverá ficar plenamente operacional no segundo trimestre deste ano, proporcionando um nível de conectividade internacional sem precedentes entre os dois continentes e que chegará à Europa através de Portugal.

A criação desta infraestrutura é apontada como uma das grandes apostas da Presidência Portuguesa da União Europeia. A operação implica um investimento de 150 milhões de euros, que é financiado em cerca de metade por “clientes âncora” (Consórcio Bella, Cabo Verde Telecom e EMACOM). Os restantes 50% do investimento são provenientes do fundo de investimento pan-europeu Marguerite II.

A EllaLink irá abrir um “corredor” para a transmissão de dados entre os dois continentes, fornecendo novas oportunidades ao mercado europeu. Para além da primeira ligação direta de alta velocidade por cabo submarino entre a Europa e a América Latina, o sistema EllaLink inclui ainda diversas rotas terrestres que ligam Data Centers estratégicos em Lisboa, Madrid, Marselha, São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza, em parceria com a Equinix e a Interxion.

O papel da Unidade FCCN

O cabo submarino Ella Link chegou a Portugal no dia 6 de janeiro. O ponto de entrada desta estrutura no espaço europeu realiza-se em Sines, que acolhe, desta forma, a landing station do cabo EllaLink. A comunidade académica e de investigação teve um papel determinante na concretização deste projeto, uma vez que a implementação desta estrutura foi possível graças ao financiamento do programa BELLA (Building the Europe Link with Latin America), com objetivo de criar uma rede de investigação e educação entre os dois continentes durante toda a vida útil do sistema.

O Programa Bella é liderado em consórcio por várias redes nacionais de educação e investigação. A Unidade de Computação Científica Nacional da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (Unidade FCCN), enquanto NREN (National Research and Education Network) portuguesa é a representante nacional neste consórcio que é ainda formado pelas Redes Académicas Regionais – GÉANT (Europa) e RedCLARA (América Latina) e pelas NRENs homólogas do Brasil, Chile, Colômbia, Equador, França, Alemanha, Itália e Espanha.

Redução de latência

Ao longo das últimas décadas, o consumo de produtos digitais fez disparar a necessidade de conectividade entre países e continentes: da simples transmissão de voz até à transmissão em tempo real de vídeos em streaming. O futuro deverá trilhar o mesmo caminho, tendo em conta todas as futuras aplicações que serão possíveis graças à implementação do 5G em todo o mundo. Estas aplicações requerem menor latência, isto é, a redução do espaço de tempo que a informação demora a passar na rede, no caminho percorrido entre utilizadores, Data Centers ou plataformas. Neste contexto, os valores de latência tornaram-se um fator essencial para o mundo digital.

Ao criar uma rota direta entre a Europa e a América Latina, evitando a passagem por países terceiros, a EllaLink reduz a latência em 50%, em comparação com a atual infraestrutura, atingindo um valor real inferior a 60ms entre Portugal e o Brasil.

 

O impacto para o utilizador

Por outro lado, a tecnologia de ponta utilizada no sistema EllaLink garante acesso de elevada qualidade a serviços de telecomunicações e aplicações, através de uma conexão direta, de alta velocidade e com muito baixa latência. Isto será benéfico não apenas para todas as plataformas de telecomunicações, mas também para os serviços na Cloud, acesso a conteúdos, todos os tipos de negócios digitais e ainda a indústria de gaming.

Durante os primeiros meses de 2021, a EllaLink irá reforçar a sua rede para quer possa estar operacional até ao final do segundo trimestre. Estão previstas ligações à Ilha da Madeira e a Cabo Verde, mas também a Marselha, o que vai permitir uma conectividade ampliada com a África, Ásia e Médio Oriente. Estão já em vista outros potenciais pontos de ligação com Mauritânia, Marrocos, Guiana Francesa e Ilhas Canárias.