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A analista de dados da Unidade FCCN, Nika Shahidian, partilha o seu testemunho sobre o papel e relevância das mulheres nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Durante o mês de março, a Unidade FCCN associa-se à campanha da GÉANT #WomenInSTEM, dando a conhecer a opinião de vários dos seus colaboradores sobre este tema.

Como mulheres, desde jovens perdemos interesse por áreas de trabalho dominadas por homens, querendo seguir áreas onde o papel da mulher já está estabelecido e seguindo os passos das mulheres trabalhadoras que tantas portas nos abriram. Mas agora é a nossa vez! Os empregos de engenharia e tecnologia são predominantemente ocupados por homens, afastando mulheres ambiciosas e com tanto potencial. Temos o dever de abrir portas à geração futura de mulheres trabalhadoras e acabar com a discrepância na representação das mulheres nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM).

Desde jovens, fazemos escolhas que nos direcionam para um dado percurso profissional. Apenas 21% dos estudantes de engenharia e 19% dos estudantes de ciências da computação são mulheres, apesar de estas serem algumas das áreas de trabalho mais lucrativas. Se um trabalhador numa área STEM recebe dois-terços mais do que trabalhadores em outras áreas, então como se explica o afastamento regular das mulheres? Mesmo dentro das STEM, as ocupações mais lucrativas são as que têm a menor percentagem de mulheres. A verdade é que este afastamento das mulheres de alguns dos empregos mais bem pagos da atualidade serve apenas para agravar e prolongar a diferença salarial entre géneros.

Como pretendemos acabar com os estereótipos de que as áreas STEM são mais indicadas para homens? Como convencemos as mulheres de que ao escolherem áreas de trabalho dominadas por homens não serão discriminadas? Ou melhor, como acabamos com esta discriminação? Apenas ao reconhecer e normalizar a presença das mulheres nas STEM seremos capazes de acabar com a cultura de exclusividade masculina, que tanto afasta as mulheres que simplesmente procuram um espaço com igualdade de oportunidade.

Esta responsabilidade cabe a todos nós. Cabe aos pais e professores apoiar e incentivar o interesse das mulheres nas STEM, reforçando as suas capacidades e aptidões. Cabe aos homens trabalhadores nas STEM de reconhecerem o papel das mulheres e adaptarem o ambiente de trabalho, tornando-o simpático e atraente a minorias, e garantindo a igualdade de oportunidade. E cabe às mulheres reconhecer a sua capacidade de superar as dificuldades que irão enfrentar e não subestimar as suas capacidades. É necessário confiança e perseverança por parte das mulheres, mas nada é possível sem o devido reconhecimento e respeito no campo de trabalho.

Por fim, queria deixar a seguinte nota. Existe a ideia de que o incentivo para direcionar mulheres para as STEM deve ser focado nas gerações futuras e nos jovens que estão no processo de escolha do seu percurso profissional. Se há algo que o mundo profissional nos ensina é que nunca é tarde para mudar de área profissional. Vivendo num mundo com tantas formações disponíveis e informação gratuita, nunca foi tão acessível expandir o nosso horizonte de conhecimento (www.nau.edu.pt). Durante toda a nossa vida ouvimos dizer que as engenharias e tecnologias são mais apropriadas para os homens, mas agora pensemos no quão ridículo este estereótipo realmente é! Não podemos continuar a viver num mundo onde apenas 28% dos empregos nas STEM são ocupados por mulheres.

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