A crescente integração da Inteligência Artificial (IA) na investigação e no ensino superior está a alterar práticas académicas em múltiplas dimensões. Da produção de conteúdos à análise de dados, da avaliação à escrita científica, os sistemas baseados em IA passaram a integrar o quotidiano de estudantes, docentes e investigadores.
Mas esta transformação não é apenas tecnológica, é estrutural. A introdução de ferramentas de IA levanta questões profundas sobre a forma como produzimos, validamos e partilhamos conhecimento. Mais do que um novo instrumento, a IA desafia dimensões centrais da identidade científica.
IA como espelho e como fator de mudança
A IA reflete práticas existentes, incluindo metodologias e enviesamentos, mas também questiona princípios consolidados. Num contexto em que sistemas generativos produzem textos e análises com elevada fluidez, reforça-se a necessidade de garantir rigor, verificabilidade e transparência.
A autoria e a responsabilidade académica assumem novos contornos quando ferramentas de IA participam ativamente na produção científica e pedagógica. Acrescem ainda desafios relacionados com a equidade no acesso a recursos computacionais e com a sustentabilidade, ambiental e institucional, associada ao treino de modelos de grande escala.
Perante este cenário, a integração da IA exige enquadramento estratégico, literacia digital e reflexão ética. Não se trata de rejeitar ou aceitar de forma acrítica, mas de assegurar uma adoção consciente e alinhada com os valores fundamentais da ciência.
Infraestruturas, serviços e responsabilidade coletiva
Enquanto unidade de serviços digitais da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), a FCCN acompanha esta transformação, através do desenvolvimento de infraestruturas e serviços que suportam a comunidade académica e científica. Iniciativas como o IAedu, que promove a reflexão e capacitação para a utilização responsável de IA na educação e na investigação, e o investimento contínuo em infraestruturas de computação avançada, ilustram esse compromisso.
A integração da IA no sistema científico não é apenas uma questão tecnológica, mas estratégica. Exige infraestruturas robustas, políticas claras, capacitação da comunidade e uma visão partilhada sobre o futuro da ciência digital.
Ao fomentar este debate, a FCCN reafirma o seu papel enquanto facilitadora da transformação digital no Ensino Superior, contribuindo para que a adoção da IA reforce, e não comprometa, os princípios de rigor, transparência, abertura e colaboração que sustentam a produção científica.
Mais do que uma tendência emergente, a Inteligência Artificial representa um ponto de inflexão. O desafio coletivo está em garantir que esta evolução contribui para uma ciência mais sólida, inclusiva e sustentável, preservando a identidade e os valores que definem a ensino.











