O Dia Internacional da Mulher, instituído pelas Nações Unidas em 1975 e celebrado anualmente a 8 de março, reconhece conquistas femininas e convida à reflexão sobre a igualdade de oportunidades. Nas áreas de STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics), a igualdade de género ainda não está conquistada, tanto nos níveis de educação até aos cargos de liderança. 

Promover um maior equilíbrio nestes domínios não é apenas uma questão de justiça social, mas também uma forma de reforçar a capacidade da ciência de enfrentar desafios complexos, incorporando perspetivas diversificadas. 

As mulheres nas STEM em contexto internacional 

Dados da UNESCO indicam que as mulheres representam, em média, cerca de 33,3% dos investigadores a nível global. Nas áreas STEM, apenas 35% dos estudantes e diplomados são mulheres, uma proporção que se reflete no mercado de trabalho, onde apenas 22% dos empregos STEM nos países do G20 são ocupados por mulheres. 

Apesar de uma presença mais significativa nas ciências naturais e da saúde, setores nos quais, segundo a Organização Mundial da Saúde, as mulheres representam cerca de 67% da força de trabalho global, a sua participação mantém-se reduzida em áreas de alta tecnologia e em posições de liderança. Estima-se que apenas 1 em cada 10 cargos de liderança em STEM seja ocupado por uma mulher. Ao nível do reconhecimento internacional persistem assimetrias: dos 589 Prémios Nobel atribuídos em áreas STEM, apenas 17 distinguiram mulheres

A estas desigualdades somam-se desafios estruturais relacionados com o acesso a financiamento, oportunidades de investigação e progressão na carreira, fatores que condicionam a permanência e ascensão das investigadoras em diferentes contextos. 

Contexto nacional: dados e iniciativas  

Em Portugal, os dados mais recentes do Boletim Estatístico 2025 “Igualdade de Género em Portugal” evidenciam progressos, mas também persistentes desequilíbrios em áreas como tecnologia, engenharia e competências digitais. Hoje, as mulheres representam cerca de 36,5% das pessoas diplomadas em áreas STEM, valor superior à média da União Europeia. 

Entre as iniciativas que procuram dar visibilidade ao trabalho desenvolvido por investigadoras, destaca-se a publicação do livro “Mulheres na Ciência”, que reúne retratos de cientistas de diferentes gerações, contribuindo para a criação de referências e modelos inspiradores para futuras gerações. 

Além disso, diversas instituições e projetos assinalam esta data com iniciativas que promovem a reflexão, a partilha de experiências e a valorização das contribuições femininas para a ciência. Um exemplo recente é o projeto Women4Digital, desenvolvido no âmbito do programa Science4Policy do Centro de Estudos Sociais e financiado pela FCT. A iniciativa analisa a desigualdade de género na transformação digital e contribui para a reflexão sobre políticas públicas que promovam uma maior inclusão das mulheres na ciência e no digital.  

Iniciativas desta natureza reforçam a importância de envolver a comunidade científica na reflexão sobre a igualdade de género, promovendo o desenvolvimento de ferramentas e recomendações que apoiem políticas mais eficazes. 

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