A Computação Avançada tornou-se um pilar da investigação científica e da inovação. Da inteligência artificial à saúde, os grandes desafios atuais exigem capacidades computacionais que vão além dos recursos tradicionais. 

Em Portugal, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), através da sua unidade de serviços digitais FCCN, tem vindo a assumir um papel central em permitir o acesso a recursos de Computação de Alto Desempenho (HPC). A disponibilização de infraestruturas nacionais, entre as quais o supercomputador Deucalion — financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) — permite transformar ideias científicas em resultados concretos. 

Mas como funciona, na prática, o percurso de um projeto, desde a manifestação de interesse em aceder a recursos de computação avançada até ao impacto final da utilização destas infraestruturas? 

1. Identificação da necessidade por Computação Avançada 

Tudo começa com uma necessidade científica ou tecnológica bem definida. Projetos que envolvem grandes volumes de dados, simulações complexas ou modelos computacionais exigentes encontram na Computação Avançada uma ferramenta decisiva. 

Investigadores e equipas recorrem à Computação de Alto Desempenho quando pretendem acelerar cálculos, aumentar a escala das suas experiências ou explorar cenários que seriam impossíveis de concretizar com recursos convencionais.  

2. A submissão aos Concursos de Projetos de Computação Avançada 

Para aceder a recursos de supercomputação, os investigadores nacionais podem candidatar-se aos Concursos de Projetos de Computação Avançada, promovidos pela FCT. Esta iniciativa destina-se a projetos científicos e de inovação que demonstrem, de forma clara, a necessidade de HPC para alcançar os seus objetivos, independentemente da fase em que se encontrem.  

No processo de candidatura as equipas devem apresentar a descrição do seu projeto, os objetivos científicos ou tecnológicos e a justificação para a utilização de Computação Avançada. Nesta fase, a FCCN disponibiliza informação, documentação e apoio aos candidatos para a compreensão dos requisitos e das possibilidades oferecidas pelas infraestruturas disponíveis. 

3. Avaliação e seleção de projetos

Após a submissão, os projetos são avaliados de acordo com os critérios definidos na documentação específica do concurso e no Regulamento dos Projetos de Computação Avançada. Entre os principais critérios de avaliação incluem-se o mérito científico da proposta, a sua qualidade técnica e a adequação do recurso à Computação Avançada. 

Este processo de avaliação visa assegurar não só a excelência científica dos projetos apoiados, mas também a utilização eficiente e adequada das infraestruturas nacionais de computação avançada. 

4. Da aprovação à execução

Assim que aprovadas, as equipas passam a ter acesso aos recursos atribuídos e iniciam a fase de contratualização, logo seguida da alocação dos recursos e da execução dos projetos, recorrendo assim a supercomputadores e plataformas especializadas para o desenvolvimento do seu trabalho.  

Ao longo deste processo, a FCCN desempenha um papel de acompanhamento e apoio, assegurando o acesso às infraestruturas e promovendo a sua utilização adequada e eficiente, em alinhamento com as melhores práticas de computação avançada.

5. Resultados, impacto e criação de valor

Os projetos apoiados resultam em avanços científicos relevantes, novas publicações, desenvolvimento de soluções inovadoras ou criação de conhecimento com impacto transversal. O seu impacto estende-se à sociedade, à economia e à inovação, reforçando o papel da Computação Avançada como motor de progresso científico e tecnológico. 

Um caminho aberto a novas ideias 

Os Concursos de Projetos de Computação Avançada continuam a ser uma porta de entrada para novos desafios e descobertas, contribuindo para um ecossistema de investigação mais forte, colaborativo e inovador.  

Atualmente, encontra-se aberta a 6.ª edição do Concurso de Projetos de Computação Avançada, promovido pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, através da FCCN, com um modelo de candidaturas em contínuo, com vários lotes para candidaturas, até setembro de 2026. Esta edição contempla diferentes tipologias de acesso, desde o A0 – Acesso Experimental, dirigido a equipas que dão os primeiros passos em HPC, até ao A3 – Acesso de Maior Dimensão, destinado a projetos com necessidades computacionais muito elevadas. As candidaturas podem ser submetidas através de vias rápida (projetos com avaliações científicas nos últimos 3 anos) ou integral (submetidos ao processos de avaliação científica), permitindo ajustar o processo de avaliação à maturidade científica e técnica dos projetos. 

Toda a informação sobre prazos, regulamento e candidaturas está disponível na página do concurso e no portal da FCT, com várias fases de submissão até setembro de 2026

Outros mecanismos de acesso 

Para além dos Concursos de Projetos de Computação Avançada, existem outros mecanismos de acesso a recursos especializados, nomeadamente através dos laboratórios de HPC, Inteligência Artificial e Computação Quântica, bem como da iniciativa InovIA e dos pedidos de acesso, avaliados caso a caso. Estes instrumentos complementares permitem responder a necessidades específicas, promover a experimentação e apoiar casos de uso emergentes, oferecendo maior flexibilidade no acesso às infraestruturas nacionais de computação avançada. 

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