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Paulo Lopes
Gestor de Serviço

A condução da investigação científica não está totalmente adaptada à era digital. Existem inúmeras oportunidades de melhoria, nomeadamente no que diz respeito à abertura dos processos e dos resultados da investigação, à velocidade do acesso a esses resultados e à reprodutibilidade da investigação científica. A adoção da prática destes princípios da Ciência Aberta resultam em melhor ciência, maior confiança nessa mesma ciência e capacidade para enfrentar desafios globais. 

No entanto, este potencial só pode ser concretizado se as infraestruturas de investigação evoluírem para permitir que os cientistas explorem, num ambiente integrado e fácil de utilizar, os dados relevantes que estão a ser produzidos. 

De facto, as infraestruturas são a base que apoia a visão da Ciência Aberta. Se os artigos, dados, códigos e outros produtos da investigação científica constituem o conteúdo que deve estar disponível sob os princípios FAIRa infraestrutura de Ciência Aberta consiste nas ferramentas e metadados por meio dos quais esses produtos científicos são criados, partilhados e avaliados. É fundamental que os metadados sejam legíveis por agentes de software, de forma que possa ser fornecido suporte à interoperabilidade automatizada e capacidade de reutilização. 

Outros atributos de dados que são importantes para a Ciência Aberta incluem confiabilidade e citabilidade. Técnicas para avaliar e classificar a confiabilidade são essenciais para permitir a reutilização adequada de dados (e para evitar a reutilização prejudicial). A citabilidade é um passo importante para o reconhecimento do trabalho científico e consequente publicação de dados relevantes. A definição e o uso de DOIs (identificadores de objetos digitais) são um exemplo de uma técnica útil para a identificação exclusiva de artigos ou dados. 

São igualmente necessárias infraestruturas que liguem semanticamente as entidades do sistema científico entre si, tais como identificadores persistentes (PIDs) e formas padronizadas de recolha, expressando-se como metadados e ligando semanticamente os PIDs.  

Ciência Aberta: O papel da Unidade FCCN 

A FCCN disponibiliza serviços e infraestruturas de Ciência Aberta relacionados com o acesso aberto a publicações, dados de investigação ou de Open Education. São exemplos disso o serviço de registo de DOIs para atribuição de identificadores a artigos, dados de investigação e outros objetos digitais produzidos no âmbito da atividade científica nacional; o serviço PUBIN, que promove a modernização das plataformas de gestão do ciclo de vida editorial por forma a abraçar os conceitos de Ciência Aberta; ou a iniciativa RCAAP, que assegura à comunidade de ensino e investigação o acesso a uma rede de repositórios facilitando a prática do acesso aberto.  

Também no campo da gestão de dados de investigação estão a ser desenvolvidos serviços que permitirão aos investigadores gerir e partilhar os resultados da sua investigação, designadamente um registo de planos de gestão de dados e um serviço de repositório de dados de investigação. 

No que concerne a infraestruturas, merecem destaque as atividades levadas a cabo pelo PTCRIS. O PTCRIS é um programa estruturante para a gestão de ciência e tecnologia que visa promover a integração de vários sistemas de informação de suporte à atividade científica, com o objetivo de simplificar os processos administrativos e facilitar a produção, gestão e acesso a dados fidedignos sobre a atividade científica. Para tal, o PTCRIS dedica-se à definição de um quadro normativo de interoperabilidade (conjunto de regras a adotar pelos sistemas no que diz respeito a PIDs, semântica, modelo de dados, entre outras), bem como, ao desenvolvimento de infraestruturas de suporte, como seja o registo nacional de financiamento ou o registo autoritativo de organizações. 

Comprometida com os princípios da Ciência Aberta, a FCCN pretende assim, através de atividades diversas, contribuir para o aumento da eficiência na investigação, a promoção da transparência e o conhecimento do processo científico e a democratização do acesso a esse conhecimento, de forma a potenciar o desenvolvimento! 

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