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Necessidades avançadas de educação e investigação precisam de soluções à medida.


Criada em 2018 pela iniciativa de competências digitais INCoDe.2030, a RNCA destina-se a disponibilizar serviços de computação avançada (alta performance), às comunidades de investigação, tecnologia, inovação e indústria.

Em entrevista ao diretor de área, João Pagaime, procurámos esclarecer todas as dúvidas sobre a Rede Nacional de Computação Avançada e qual o seu futuro.

E se ainda não conhece os nossos supercomputadores nacionais, leia a noticia que detalha cada um deles.

8 perguntas sobre RNCA

#1 A RNCA disponibiliza serviços de computação avançada às comunidades de investigação, tecnologia, inovação e indústria. Pode dar-nos alguns exemplos de casos concretos em que este serviço pode ser útil?

A computação avançada, e, em concreto, a computação de alto desempenho, permite resolver problemas de cálculo impossíveis de resolver com meios computacionais convencionais, sendo disso exemplo a simulação de fenómenos naturais, como previsão de tempo, alterações climáticas, impacto de sismos, etc;  o apoio à investigação em ciência fundamental:  física, química e outras disciplinas; a contribuição para avanços científicos: medicina e outras áreas, como a descoberta de novos fármacos; o apoio a projetos de engenharia, como colocação de aerogeradores, desenho de carros / CFD,  e todos os projetos que envolvam o tratamento de grandes volumes de dados. 

#2 Que tipo de entidades poderão ter interesse nestes serviços? E como podem proceder para ter acesso aos recursos computacionais da RNCA?

Tipicamente tem interesse nestes serviços organizações ligadas à investigação ou processos de inovação de produto. Para ter acesso aos recursos computacionais da RNCA são abertos concursos de acesso publicitados no portal da FCT. As entidades interessadas devem submeter um projeto de computação avançada num desses concursos. Para além disso, alguns centros operacionais da RNCA tem capacidade computacional própria que podem disponibilizar através de processos de acesso próprios, Mais informações podem ser encontradas no portal de cada centro.

#3 Numa altura em que o Rede Nacional de Computação Avançada celebra o terceiro ano de existência, o que nos pode contar sobre a evolução desta infraestrutura gerida pela Unidade FCCN?

A RNCA é gerida pela unidade FCCN da FCT, agregando um conjunto recursos de centros operacionais e centros competência, cujo regulamento interno e requisitos mínimos foram publicados em diário de república, bem como o regulamento de projetos de computação avançada:  Regulamentos n.º 1049/2020, nº 470/2021e n.º 772-A/2020. 

A RNCA contará em breve com um supercomputador da mais recente tecnologia adquirido pelo organismo europeu EuroHPC, que será instalado em Portugal no parque de ciência e tecnologia de Guimarães, no MACC – Minho Advanced Computing Center. A maior parte da capacidade desse supercomputador será disponibilizada às comunidades nacionais de investigação, tecnologia, inovação e indústria, sendo a restante parte usada pelo organismo europeu EuroHPC.

supercomputação

#4 De acordo com o relatório de utilização da RNCA, publicado em 2020, o número total de horas de utilização (core_CPU x hora) é superior a 43 milhões. Como avalia este número? Existem dados sobre quais os tipos de projetos e de entidades que contribuíram para este número?

Consideramos muito positivo esse número de horas de computação executadas, sabendo-se que foi a primeira vez em Portugal que se organizou um concurso deste tipo. 

A distribuição por tipologias dos 129 projetos apoiados foi a seguinte: 67 projetos A2 (Acesso Projeto) e A1 (Acesso Preparatório), 62 projetos A0 e A00 (vouchers de experimentação).

De entre as 133 candidaturas recebidas contámos 31 entidades envolvidas num universo que compreende Ensino Superior, Empresas, Laboratórios Associados e Colaborativos, incluindo inúmeras unidades de investigação.

Dos mais de 80 milhões de core e horas solicitados, foram atribuídos só neste concurso, cerca de 35 milhões, distribuídos pelas plataformas dos 4 centros operacionais.  

Estando alguns projetos ainda a decorrer, e olhando para alguns dos relatórios finais já recebidos, constatamos 6 artigos já publicados, vários submetidos e mais de 30 teses de mestrado ou doutoramento em preparação. Quer a elevada procura por estes recursos, quer a satisfação geral dos utilizadores avaliada em 8.2 numa escala de 0 a 10, deu à equipa e ao nosso Conselho Diretivo motivação e força para avançar para uma 2ª edição deste Concurso, lançada no passado dia 19 de julho. Esta 2ª edição continua a receber candidaturas em algumas tipologias de acesso até abril 2022. Para saber mais visite o site e consulte a listagem de projetos aprovados com o respetivo detalhe.

#5 Quais são os principais objetivos da RNCA, num futuro próximo?

Alguns objetivos muitos importantes para a RNCA decorrem da estratégia ADVANCED COMPUTING PORTUGAL 2030 estão disponíveis para consulta no site.

No futuro próximo a RNCA tem como objetivos principais:

  • aumento significativo da capacidade e rapidez de cálculo através do novo supercomputador Deucalion  adquirido pelo organismo europeu EuroHPC que será instalado em Portugal e operado pelo MACC, um centro operacional da RNCA.
  • aumento das competências digitais na utilização da computação avançada, nomeadamente através do aumento da oferta de formação especifica, com base em projetos financiados como o EuroCC, ERASMUS+ e outros.
  • desenvolvimento de parcerias internacionais, nomeamente com o BSC (Barcelona) no âmbito do memorando de entendimento entre Portugal e Espanha sobre matérias de computação avançada.
  • continuação do esforço de consolidação administrativa e orçamental da RNCA.

#6 Olhando para o contexto atual, qual a relevância que as ferramentas de supercomputação assumem? E como prevê que este cenário evolua, no futuro?

As ferramentas de supercomputação são essenciais para apoiar a produção de ciência de nível internacional, quer nos processos de descoberta científica, quer nos processo tecnológicos de inovação, baseados em ciência.

Prevê-se um aumento significativo da necessidade de utilização da computação avançada e em especial do tratamento de elevados volumes de dados em ambiente de computação de alto desempenho, onde se espera que cada vez mais o setor da industria procure estes recursos.

Tecnologias como o IoT – Internet of Things, a Inteligência Artificial e o Deep Learning  estão presentemente disponíveis à industria mas requerem meios computacionais para além dos meios convencionais, pelo que é muito importante desenvolver estes meios, removendo barreiras ao desenvolvimento económico do país.

#7 Nesse sentido, que iniciativas têm sido tomadas para a divulgação do potencial de inovação destes recursos?

Entre as candidaturas aos concursos de projetos, continuamos a receber cada vez mais propostas que requerem ferramentas especificas de Inteligência Artificial e outras tecnologias disruptivas, por vezes aliados aos modelos de HPC ou Cloud cientifica.

Ao longo deste ano assistimos a um reforço na capacidade de GPUs nos vários centros da RNCA e, com a instalação do Deucalion no MACC e o Vision no HPC-UÉ, será dada maior resposta aos crescentes pedidos de utilização nestas áreas de Deep Learning, Natural Language Processing e outras.

A par destas novas plataformas, foi anunciado recentemente que a Google irá disponibilizar à FCT um conjunto de recursos na Cloud no valor de 1,7 milhões de €. Para distribuir estes recursos e em linha com a Estratégia Nacional de IA, estamos já a preparar o lançamento de um Concurso de Projetos de IA, a lançar em 2021/22.

Além de alargar a oferta de recursos, nos centros operacionais e centros de competência a visualização, é importante atrair cada vez mais a comunidade de inovação para o mundo da computação avançada. Contamos poucos, mas cada vez mais, casos de empresas e indústria a experimentar e a utilizar os recursos – com por exemplo o Tooling4G.

Estamos já a trabalhar com a equipa INCoDe.2030, parceiros RNCA e EuroCC, entre outros, para desenvolver iniciativas e oportunidades formativas que impulsionem o acesso e utilização das empresas aos recursos de computação avançada.

#8 Há alguma coisa que deseje acrescentar?

 Para além da RNCA, que corresponde a um esforço nacional, a comunidade europeia tem uma oferta global através dos concursos do PRACE e, mais recentemente, do EuroHPC.

Caso esteja interessado/a em saber mais, contacte-nos através de rnca@fccn.pt  e visite o site da FCCN.

Recentemente decorreu o 1º Encontro RNCA 2021 entre 28 a 30 de setembro, online e em Outubro vamos ter o evento nacional que junta a comunidade académica e cientifica, as Jornadas, e onde encontrará os gestores e diretor de serviço que melhor poderão esclarecer todas as suas dúvidas.

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