Antes de aderir à Rede da FCCN, uma Instituição de Ensino Superior ou um Centro de Investigação costuma depender de soluções dispersas: contratos de conectividade próprios, licenças de videoconferência avulsas, gestão interna de certificados e, em muitos casos, nenhuma equipa inteiramente dedicada a responder a incidentes de segurança. Depois da adesão, passa a integrar uma infraestrutura partilhada, uma base tecnológica comum, com ganhos de escala e de segurança, que dificilmente conseguiria replicar sozinha.
A RCTS representa um ecossistema de cerca de 30 serviços digitais, inseridos nas áreas do conhecimento, computação, colaboração, conectividade, segurança e inovação. Esta rede liga hoje mais de 90 entidades ao sistema de Ensino Superior, à ciência e tecnologia nacionais e à administração pública, servindo mais de 600 mil estudantes, docentes, investigadores e funcionários. É essa escala que permite à FCCN, unidade de serviços digitais da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), negociar capacidade de rede, segurança e conteúdos científicos em condições que nenhuma instituição alcançaria isoladamente.
Traduzido para o dia a dia de quem estuda, ensina ou investiga, este contraste sente-se em mudanças concretas. Assinalamos abaixo cinco delas.
#1 A internet deixa de ser uma preocupação diária
Antes, garantir acesso estável à internet e a redes académicas fora de portas era um problema técnico que cada instituição resolvia por conta própria. Ao juntar-se à FCCN, esse acesso passa a estar assegurado pelo serviço IP, com velocidades até 100 Gbps e um centro de operações ativo 24 horas por dia. Um estudante que se desloque para outra universidade, em Portugal ou no estrangeiro, liga-se à rede sem fios com as mesmas credenciais que usa em casa através do eduroam, que em 2025 registou mais de 8,4 mil milhões de autenticações em roaming a nível global.
#2 Um único login para (quase) tudo
Antes, cada plataforma institucional precisava de ter a sua própria conta e palavra-passe. O RCTSaai resolve esse atrito ao permitir aceder a diferentes serviços nacionais com a conta institucional, e a serviços internacionais através da federação eduGAIN. As instituições podem até usar a autenticação federada nas suas próprias soluções internas.
#3 Aulas e eventos sem depender de licenças comerciais
Antes, organizar uma aula à distância ou transmitir um evento científico implicava contratar software fora do controlo da instituição. Aderindo à rede, a instituição passa a poder usufruir do Colibri, um serviço de videoconferência da rede, que passou de cerca de 300 sessões diárias antes da pandemia para uma média de 15 mil sessões por dia atualmente, com uma versão de webinar que suporta mil participantes. Somam-se o Videocast, para transmissão em direto, o Estúdio, para produção audiovisual, e o FileSender, que só em 2025 permitiu partilhar mais de 623 mil ficheiros de forma segura.
#4 Menos exposição a incidentes de segurança
Antes, uma instituição enfrentava sozinha ataques informáticos e vulnerabilidades, normalmente sem equipa dedicada a monitorizá-los. Com a adesão, está coberta pelo CSIRT, serviço de segurança da FCT, disponibilizado pela FCCN, que em 2025 tratou mais de 2,8 milhões de eventos de segurança, respondeu a 167 incidentes e travou 234 ataques. Juntam-se o serviço de Certificados, com mais de 8 700 emitidos no último ano, e o Zelo, que apoia a conformidade com o RGPD.
#5 Acesso facilitado a conteúdos científicos, supercomputadores e IA
Antes, o acesso a conteúdos científicos internacionais, a supercomputadores ou a inteligência artificial avançada dependia de orçamentos que poucas instituições sustentam sozinhas. Através da RCTS, os investigadores acedem ao RCAAP, com mais de um milhão de documentos científicos em acesso aberto, e ao IAedu, que disponibiliza gratuitamente modelos avançados de inteligência artificial. Quem precisa de capacidade de cálculo pode ainda candidatar-se aos concursos de computação avançada, com acesso a recursos como o Deucalion e o MareNostrum5: só em 2025, foram aprovadas 265 das 269 candidaturas recebidas.
Serviços de acesso livre e de subscrição adicional
Nem todos os serviços digitais da FCCN dependem de adesão institucional. Alguns, como o Arquivo.pt, a plataforma NAU ou o RCAAP, são de acesso livre, disponíveis a qualquer utilizador, através de pesquisa direta na internet. Outros, como o RCTS Housing, o acordo europeu OCRE , com subscrições de 4 anos, ou a b-on, exigem subscrição própria, por implicarem custos que variam com a dimensão de cada instituição. A b-on, biblioteca de conhecimento online, por exemplo, contabilizou em 2025 mais de 21,5 milhões de downloads anuais, ao serviço de 66 entidades.
Quem pode beneficiar desta rede
A rede da FCCN destina-se a instituições nacionais de Ensino Superior e Investigação, incluindo universidades, institutos politécnicos, Laboratórios do Estado, Laboratórios Associados, Unidades de Investigação e Desenvolvimento e outras entidades do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia. Pode ser analisada a elegibilidade de outras tipologias de entidades.
As entidades interessadas podem consultar as condições de adesão e o catálogo completo de serviços no site da FCCN. Para avançar com a adesão, devem preencher o formulário de pré-adesão, igualmente disponível no site.











