A computação avançada hoje assume um papel central na transformação digital, impulsionando a forma como dados são processados, decisões são tomadas e problemas complexos são resolvidos. Mais do que uma evolução técnica, a computação avançada representa hoje uma mudança estrutural na forma como organizações, governos e instituições científicas abordam desafios, abrindo caminho para soluções mais eficientes e escaláveis em diversas áreas do conhecimento.
Diana Almeida, Gestora de Projetos de Ciência da equipa de Computação Avançada da FCT, na unidade de serviços digitais FCCN, revela como é o dia a dia de quem trabalha diariamente com esta área em expansão.
Name: Diana Almeida
Team/service at FCCN: Advanced Computing
Year of entry into FCCN: 2025
O que motivou o interesse por esta área STEM: Quando estava no secundário, a ideia de estar na fronteira do conhecimento era fascinante. Queria tirar um curso onde a matéria terminava porque ainda não tinha sido descoberto mais, e não porque era matéria do próximo ano.
Uma pessoa que te inspirou a seguir este caminho: Eu sou teimosa por defeito, e sempre fui dada a artes decorativas. Uma professora no 9º ano carinhosamente aconselhou-me a não seguir ciências porque ia destruir a minha criatividade, principalmente química. E como boa ouvinte que sou, segui bioquímica. A minha criatividade nunca foi inibida por causa disso, muito pelo contrário, refugio-me no título que a Mary Shelley nos dá: students of the unhallowed arts.
O maior mito sobre trabalhar em STEM que gostavas de desfazer: Precisamente que é incompatível com criatividade. Mais do que isso, que há um perfil certo para ir para STEM, a ideia de que os cientistas têm todos uma mente analítica, são super metódicos e incapazes de improvisar. Alguns são, e isso é importante, mas vão sempre chegar mais longe com alguém ao lado que consiga imaginar o que pode ser feito para além do protocolo.
Uma conquista da qual te orgulhes no teu percurso profissional: O doutoramento foi sem dúvida a grande maratona, e não dá para falar de um percurso profissional sem dar destaque a algo que preencheu tanto da minha vida durante tanto tempo. Mas o desafio foi depois, a decisão de que não queria continuar com a minha investigação e seguir outra vertente das competências que ganhei durante o doutoramento é algo de que me orgulho muito.
Alguém na FCCN que te inspira: Já conheceram os Serviços de Computação Avançada? As ‘anas são a melhor inspiração que eu podia ter. A começar pelo batismo à equipa, com uma viagem Aveiro-Lisboa memorável, à receção incrível que tive e ao cuidado com que me explicam tudo o que se passa neste serviço. Tenho muita sorte em trabalhar rodeada de grandes mulheres.
O lema no dia a dia de trabalho: Just keep swimming.
Algo que fazes no teu trabalho e que as pessoas não imaginam: Entrevistas de diagnóstico.
A tua “ferramenta secreta”: Não tenho, eu sou croma, se encontro uma ferramenta boa não me vou calar sobre ela.
Música ou playlist para trabalhar concentrada: Bandas sonoras instrumentais, ou Hamilton (em casos particularmente chatos).
Emoji favorito para reagir a incidentes:
👀
Se tivesses um superpoder: Teletransporte.
Algo que gostarias de dizer a ti própria no início da carreira, se pudesses voltar atrás: Está atenta às portas que tens abertas, não te foques em cenários hipotéticos e o teu curso não te vai definir a carreira a não ser que queiras.
Um conselho para raparigas que queiram seguir uma área STEM: Se querem vão, o problema não é entrar. É depois que as barreiras vão aparecer à vossa frente, e são muitas. Informem-se sobre barreiras informais. Nunca se recusem a fazer uma apresentação em público. E já agora, um pedido para os homens que vai ajudar muito estas raparigas: não aceitem fazer parte de um painel em que não haja uma mulher.











